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National R&D

MiMo

Chlorella vulgaris suplementação como modelador do eixo microbiota-intestino-cérebro em Dicentrarchus labrax

Investigador principal

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Investigador

Márcia Saraiva é licenciada em Engenharia Biotecnológica pelo Instituto Politécnico de Bragança, tem um mestrado em Microbiologia pela Universidade de Aveiro e um doutoramento em Biologia Molecular pela Universidade de Aberdeen (Escócia). A sua investigação foca-se nos mecanismos que permitem a adaptação de um organismo a desafios ambientais, fisiológicos ou genéticos e como estes podem ser, de forma direta e/ou indireta, utilizados para interromper a patogenicidade.

EQUIPAS DE INVESTIGAÇÃO:
Saúde de Animais Aquáticos

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A aquacultura é o setor de produção alimentar com o crescimento mais rápido, com potencial para reforçar a segurança alimentar global, satisfazer as necessidades nutricionais de uma população em crescimento e apoiar a transição para ecossistemas marinhos e de água doce mais saudáveis. Prevê-se que a produção global de peixe continue a aumentar, estimando-se que a aquacultura atinja 106 milhões de toneladas métricas até 2030 — face a 87,5 milhões de toneladas métricas em 2020 — o que representa um aumento superior a 30%. Este crescimento fornecerá uma fonte essencial de proteína e de outros nutrientes para mais de três mil milhões de pessoas. No entanto, alcançar uma intensificação e expansão sustentáveis dos sistemas de aquacultura exigirá inovação tecnológica, incentivos adequados e uma governação e regulamentação eficazes ao longo de toda a cadeia de valor. Assim, são necessárias ações atempadas e bem delineadas para garantir que o setor se desenvolve de forma sustentável.
Entre as estratégias emergentes, alternativas sustentáveis para rações aquícolas com baixa pegada de carbono e elevado valor nutricional e imunológico — como as microalgas — têm vindo a ganhar destaque. As microalgas, como Chlorella vulgaris, constituem uma fonte rica de compostos bioativos, apresentam perfis equilibrados de aminoácidos e são também fontes importantes de ácidos gordos ómega-3 de cadeia longa. Estes componentes podem reforçar as respostas imunitárias, aumentar a capacidade antioxidante e melhorar a qualidade nutricional global dos peixes. A dieta desempenha também um papel central na modulação da microbiota intestinal, considerada um “órgão” adicional que contribui para o metabolismo, a defesa imunitária e a homeostase intestinal. Alterações nas comunidades microbianas podem conduzir a disbiose, comprometer a integridade da barreira intestinal e aumentar a suscetibilidade a doenças. Compreender de que forma novos ingredientes para rações aquícolas influenciam processos fisiológicos, como a absorção de nutrientes e a modulação do sistema imunitário, será fundamental para otimizar formulações alimentares e produzir peixes mais saudáveis e nutritivos a preços acessíveis.
O eixo microbiota–intestino–cérebro (MGBA) evidencia ainda a complexidade destas interações. Esta rede de comunicação bidirecional liga a microbiota intestinal, as vias de sinalização imunitária e o sistema nervoso central através de mecanismos neurais, metabólicos e imunitários. Metabolitos microbianos, em particular os ácidos gordos de cadeia curta, juntamente com neurotransmissores e produtos bacterianos, desempenham papéis essenciais na regulação da função imunitária, na manutenção da integridade intestinal e na modulação do comportamento alimentar. Alterações no MGBA podem desencadear processos inflamatórios, comprometer a integridade da barreira hematoencefálica e contribuir para o desenvolvimento de doenças.
Neste contexto, o principal objetivo do projeto MiMo é aprofundar o conhecimento sobre os mecanismos subjacentes ao funcionamento do MGBA em peixes alimentados com dietas suplementadas com C. vulgaris, bem como compreender de forma mais detalhada os mecanismos fundamentais envolvidos durante processos de doença, utilizando o robalo-europeu (Dicentrarchus labrax) como espécie modelo. Uma compreensão mais aprofundada dos mecanismos e das funções fisiológicas do MGBA na etiopatologia das doenças permitirá desenvolver novas abordagens terapêuticas baseadas na modulação das atividades deste eixo.

Instituição líder
CIIMAR-UP
Programa
Programa Inovação e Transição Digital (COMPETE 2030), Portugal 2030 + Orçamento próprio (15%)
Financiamento
Outros projectos