O apelo surge através do “Manifesto de Vila Nova de Milfontes – Pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal”.
Cientistas, profissionais, empresários e cidadãos ligados à conservação, investigação, educação e valorização dos ecossistemas marinhos unem-se em Manifesto a apelar para a proteção as florestas marinhas portuguesas, alertando para a degradação crescente destes ecossistemas essenciais para a biodiversidade, regulação climática, pesca e proteção costeira.
O apelo surge através do “Manifesto de Vila Nova de Milfontes – Pelo Futuro das Florestas Marinhas de Portugal”, desenvolvido no seguimento da reunião científica “Que futuro para as florestas marinhas de Portugal?“, integrada no Festival das Florestas Marinhas, realizado entre 14 e 17 de maio, em Vila Nova de Milfontes, co-organizada por Isabel Sousa Pinto e a sua equipa do CIIMAR e por Ester Serrão do CCMAR, numa iniciativa CIMAR-LA.
O documento já foi subscrito por cerca de 80 signatários, membros da comunidade científica, profissionais do setor do mar, empresários e cidadãos envolvidos na conservação e valorização sustentável dos ecossistemas marinhos portugueses e será apresentado às entidades responsáveis pelas áreas do Ambiente, Mar, Ciência, Economia e Ordenamento do Território, coincidindo com a apresentação do futuro Plano Nacional de Restauro da Natureza, para o qual os signatários apresentam várias recomendações consideradas prioritárias.
Entre os investigadores que lideraram a elaboração do manifesto e a discussão científica que lhe deu origem encontram-se Isabel Sousa Pinto, Vitor Vasconcelos, Joana Xavier, Jean-Baptiste Ledoux e Gabriela Faria Oliveira, do CIIMAR.
O Manifesto
O documento propõe que as florestas marinhas portuguesas, que incluem as florestas de macroalgas, pradarias marinhas, jardins de corais e esponjas e outros habitats biogénicos, sejam reconhecidas como “infraestruturas naturais estratégicas nacionais”, devido ao seu papel na regulação climática, proteção costeira, produtividade biológica e manutenção da biodiversidade marinha.
“As florestas marinhas são uma estrutura natural estratégica porque delas dependem muitas espécies marinhas, incluindo espécies importantes para as pescas e espécies importantes que servem de alimento ás espécies que são pescadas e que nos servem de alimento” explica Isabel Sousa Pinto, investigadora do grupo Biodiversidade Costeira do CIIMAR.
Muitas destas florestas marinhas funcionam como verdadeiros berçários de vida marinha, sustentando cadeias alimentares, comunidades costeiras e atividades económicas ligadas ao mar.
Os signatários alertam que estes ecossistemas estão sob pressão crescente devido à degradação dos ecossistemas terrestres, sedimentação excessiva, poluição, alterações climáticas, espécies invasoras, destruição física dos fundos marinhos e alterações das cadeias tróficas associadas à sobrepesca.
A degradação destes ecossistemas pode comprometer a biodiversidade marinha, reduzir a produtividade pesqueira, aumentar a vulnerabilidade costeira e enfraquecer a capacidade natural do oceano para responder às alterações climáticas.
O manifesto defende ainda que a prioridade nacional deve passar pela conservação urgente dos ecossistemas ainda funcionais, sublinhando que o restauro ecológico, embora importante, não substitui a necessidade de evitar novas perdas, muitas delas irreversíveis, de habitats e biodiversidade.
Isabel Sousa Pinto reforça esta prioridade nacional: “Sem monitorização não sabemos os estado dos ecossistemas nem o que lhes está a acontecer, incluindo quais o efeitos de medidas como a proteção ou restauro que são feitas para melhorar os ecossistemas e os recursos que deles dependem. Sem proteção vão continuar a degradar-se e as funções de que falei deixam de ser disponibilizadas por estes ecossistemas.”
Entre as principais propostas apresentadas destacam-se a criação de uma Estratégia Nacional para os Ecossistemas das Florestas Marinhas até 2040, o reforço da proteção efetiva das áreas marinhas protegidas, a implementação de programas nacionais de mapeamento e monitorização ecológica de longo prazo, o desenvolvimento de modelos de bioeconomia azul compatíveis com a conservação marinha e o reforço da literacia oceânica e da participação pública.
O papel de Portugal
Portugal tem uma responsabilidade acrescida na conservação do Atlântico, pela dimensão da sua zona económica exclusiva e pela relevância ecológica dos seus ecossistemas marinhos. Com este manifesto, os signatários defendem que Portugal possui condições únicas para liderar a conservação marinha no Atlântico. No entanto, alertam para a ausência de uma estratégia nacional integrada e operacional para a biodiversidade marinha portuguesa.
“O tempo para agir é agora”, conclui o manifesto, salientando que proteger as florestas marinhas portuguesas representa uma decisão estratégica para o futuro ecológico, climático, económico e social do país.
Para ler o Manifesto siga o link aqui ou veja aqui todas as assinaturas. Para assinar o Manifesto, envie email para algaecoralseas@gmail.com.
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