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National R&D

FUNSEA

Desvendar os impactos funcionais da perda das florestas marinhas num oceano em aquecimento para capacitar a gestão costeira

Investigador principal

IMG_0239 - Marina Dolbeth
Investigador

Sou Investigadora Auxiliar no CIIMAR-UP, onde estudo a estrutura e funcionamento dos ecossistemas marinhos face as alterações naturais, antropogénicas e de origem climática. O meu foco principal têm sido as comunidades bentónicas, incluindo plantas, invertebrados e peixes, para compreender as implicações das alterações da diversidade destas comunidades no funcionamento dos ecossistemas. Estou particularmente interessada em utilizar este conhecimento de forma apoiar a tomada de decisão para uma melhor gestão ambiental.
Atualmente, a minha investigação está orientada para o estudo da importância das espécies formadoras de habitat enquanto soluções baseadas na natureza para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. Além disso, estou ativamente envolvida em promover a Literacia dos Oceanos.

EQUIPAS DE INVESTIGAÇÃO:
Ecologia Bentónica e Soluções Ambientais

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As florestas marinhas estão entre os habitats vegetados mais produtivos da Terra, cobrindo cerca de 25 % das linhas costeiras mundiais. Estes habitats estruturalmente complexos prestam uma vasta gama de serviços do ecossistema, incluindo o apoio à biodiversidade costeira, o sequestro de carbono e a criação de refúgios climáticos. A sua conservação e restauro são cada vez mais reconhecidas como Soluções Baseadas na Natureza (NBS) economicamente eficientes para combater a perda de biodiversidade e as alterações climáticas. No entanto, paradoxalmente, os próprios habitats com este potencial de mitigação estão sob grave ameaça devido às alterações climáticas. Ao longo da costa portuguesa, o aquecimento está a causar mudanças rápidas nas comunidades das florestas marinhas, com espécies estruturalmente complexas a serem substituídas por espécies termotolerantes ou estruturalmente mais simples (por exemplo, as turf), num processo conhecido como tropicalização. Isto tem consequências ecológicas profundas, levando a uma progressiva homogeneização funcional das comunidades de algas marinhas. Apesar da crescente documentação destas mudanças estruturais, as suas consequências funcionais e os efeitos nos serviços do ecossistema continuam a ser extremamente pouco explorados.

O projeto FUNSEA visa colmatar esta lacuna de conhecimento fundamental. O seu principal objetivo é compreender os impactos funcionais da perda de algas marinhas e das alterações nas comunidades das florestas marinhas num oceano em aquecimento, utilizando métodos inovadores baseados nos atributos funcionais das espécies e no apoio à tomada de decisões para avaliar esses impactos e orientar as melhores práticas para a conservação dos ecossistemas costeiros e a mitigação das alterações climáticas. Ao utilizar diferentes métricas de diversidade funcional como indicadores integradores do funcionamento do ecossistema, o projeto irá caracterizar os atributos funcionais e a relação com processos funcionais das principais espécies de florestas marinhas ao longo de gradientes de profundidade, temperatura e latitude da costa portuguesa. Pretendemos identificar quais as espécies e combinações funcionais que mais contribuem para o funcionamento do ecossistema, determinar limites funcionais ao aquecimento, avaliar se comunidades termicamente resistentes mantêm uma capacidade funcional equivalente àquelas que substituem e identificar espécies funcionalmente únicas cuja perda possa comprometer de forma desproporcionada os serviços do ecossistema.

O projeto irá produzir: 1) um conjunto de dados empíricos abrangente que relacione os atributos funcionais das algas marinhas com processos e serviços ecológicos; 2) indicadores funcionais de vulnerabilidade e resiliência dos ecossistemas, aplicáveis em gradientes térmicos para apoiar as diretivas da UE; e 3) uma ferramenta de apoio à decisão que integre dados de diversidade funcional com cenários de alterações climáticas, para orientar decisões de gestão informadas para a conservação das florestas marinhas enquanto NBS.

Conduzido por uma equipa multidisciplinar do CIIMAR e do MARE-IPL, o FUNSEA irá gerar conhecimentos e ferramentas para garantir que as florestas marinhas alcancem o seu potencial como capital natural resiliente e adaptado às alterações climáticas, para as gerações atuais e futuras.

Equipas de investigação
Ecologia Bentónica e Soluções Ambientais
Instituição líder
CIIMAR-UP
Programa
Programa Inovação e Transição Digital (COMPETE 2030), Portugal 2030 + Orçamento próprio (15%)
Financiamento
Outros projectos