Seminário Oceanus do CIIMAR com Catarina Ginja | Boca da Baleia, CIIMAR
Os bovinos domésticos descendem de duas domesticações do auroque: Bos taurus, no Crescente Fértil, e Bos indicus, no vale do Indo, não existindo provas sólidas de um terceiro evento de domesticação no Norte de África. No entanto, ao longo de 10 000 anos, a mistura genética transformou os genomas dos bovinos.
A mistura entre linhagens geneticamente divergentes tem sido uma importante força evolutiva, moldando a diversidade genómica, a adaptação e o aparecimento de populações híbridas em África, na Europa e nas Américas. O fluxo génico mediado pelos machos contribuiu para a disseminação de ancestralidade indicine em efetivos bovinos de regiões tropicais, enquanto a introgressão de genes do auroque ocorreu através de vários episódios locais de hibridação.
Nesta apresentação, serão abordados resultados de estudos fundamentais da nossa equipa, incluindo a introgressão de genes do auroque em bovinos do Norte de África durante a Idade do Ferro, as populações crioulas geneticamente diversas das Américas e a elevada diversidade das raças bovinas ibéricas. Estes exemplos ilustram de que forma a mistura genética pode favorecer a adaptação a ambientes em mudança.
Catarina Ginja é investigadora auxiliar no BIOPOLIS/CIBIO, da Universidade do Porto. Em 2010, recebeu uma bolsa Marie Curie, que marcou o início de um programa inovador de investigação em arqueogenética.
O seu trabalho centra-se na dinâmica temporal e geográfica que molda os genomas dos animais domésticos, recorrendo à genómica e à bioinformática para estudar as suas origens, evolução e melhoramento. É especialista em bovinos no Comité de Diversidade Genética Animal da FAO/ISAG, colabora com associações de criadores no desenvolvimento de estratégias de conservação dos recursos genéticos animais e promove iniciativas que cruzam arte e ciência.
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